China Aumenta Importações da América Latina e Europa em Resposta à Guerra Comercial com os EUA
- INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL
- 6 de mar.
- 3 min de leitura
Katherine Buso (*)
A recente escalada da guerra comercial entre China e Estados Unidos tem causado reações significativas no mercado global de produtos agrícolas.
Com as novas tarifas chinesas sobre produtos agropecuários americanos, o maior importador mundial de alimentos está buscando alternativas na América Latina, na Europa e na região do Pacífico para suprir sua demanda por carne, laticínios e grãos.
Esse reposicionamento nas cadeias de suprimento pode beneficiar exportadores como Brasil, Argentina, Austrália e países da União Europeia.
Reconfiguração das Importações de Carne
A China anunciou um aumento de 10% a 15% nas tarifas sobre US$ 21 bilhões em produtos agropecuários americanos, afetando diretamente as importações de carne bovina, suína e de frango dos Estados Unidos.
Segundo Pan Chenjun, analista sênior do Rabobank em Hong Kong, "haverá uma redistribuição do comércio após as tarifas de importação impostas pela China aos produtos dos EUA". Nesse cenário, o Brasil, a Espanha, a Holanda e outros países da União Europeia se tornam os principais fornecedores de carne suína e bovina para o mercado chinês.
Impacto no Mercado de Soja e Grãos
Cerca de metade das exportações americanas de soja são destinadas à China, que, desde a primeira fase da guerra comercial durante a gestão Trump, tem reduzido sua dependência da oleaginosa americana. Com as novas tarifas, a tendência é que Brasil e Argentina aumentem sua participação nesse mercado, consolidando-se como os principais fornecedores de soja para a China.
Dennis Voznesenski, analista do Commonwealth Bank em Sydney, destaca que "fornecedores sul-americanos serão os maiores beneficiários, e também produtores de outras sementes oleaginosas, como a canola, podem ver uma alta na demanda".
A Austrália, que colheu uma safra expressiva de sorgo, também deve ganhar espaço no mercado chinês, substituindo parte das exportações americanas da commodity.
Aumento nas Exportações de Frango e Subprodutos
Embora a China tenha imposto uma tarifa de 15% sobre produtos de frango dos Estados Unidos, algumas importações continuarão devido à dificuldade em substituir rapidamente determinados produtos, como pés de frango, que são muito valorizados na culinária chinesa, mas de pouca demanda no mercado americano. Pan Chenjun explica que "os importadores chineses simplesmente pagarão as tarifas e continuarão comprando dos Estados Unidos enquanto buscam outras opções". No entanto, países como Brasil e Argentina podem aproveitar a brecha para expandir suas exportações de carne de frango para a China.
Redirecionamento de Mercados e Oportunidades para Exportadores
A China é um dos maiores consumidores globais de carne e grãos, e qualquer alteração em sua política comercial impacta significativamente as cadeias globais de suprimentos. Em 2024, o país importou US$ 16,26 bilhões em carne bovina, suína e de frango dos Estados Unidos, e a reconfiguração desses fluxos pode criar oportunidades para exportadores alternativos.
Analistas apontam que a tendência é que a China fortaleça suas relações comerciais com fornecedores confiáveis de longo prazo, diminuindo sua vulnerabilidade diante de futuras disputas comerciais.
Com isso, países da América Latina e da Oceania têm a chance de consolidar sua posição como parceiros estratégicos da China no fornecimento de alimentos e commodities.
Conclusão
A guerra comercial entre China e Estados Unidos está redesenhando o mapa global do comércio agropecuário. As tarifas impostas pela China sobre produtos americanos estão impulsionando a demanda por fornecedores alternativos, beneficiando países como Brasil, Argentina, Austrália e os membros da União Europeia.
Este novo panorama cria desafios e oportunidades para os mercados internacionais, reafirmando a importância da diversificação de parceiros comerciais na economia global.
(*) Especialista em Economia e Assuntos Internacionais, Graduada com mérito acadêmico pela Faculdade de Economia da Universidade Armando Álvares Penteado (FAAP-SP) em 2014. Pós-graduada em Estatística pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-Chile). Consultora Editorial na Ciência Capital. Colunista Internacional na Rádio Alta Potência. Colunista Internacional na Rádio Agro Hoje. CEO de Business Intelligence na BlueBI Solution em São Paulo.
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